Sexta-feira, Agosto 13, 2010

3G: Idec defende que empresas só ofertem velocidade que podem cumprir

A notícia saiu no portal do IDEC hoje e, à primeira vista, parece sensata. Internet 3G sempre foi uma piada desde que começou a ser comercializada no Brasil. Mas se algo precisa ser melhorado, então que seja aquilo que realmente pode ser melhorado.

O IDEC defende que empresas de telecom anunciem apenas ofertas de velocidades que possam ser cumpridas. Entretanto, quem trabalha na área de tecnologia provavelmente já sabe da verdadeira natureza do serviço 3G: é praticamente impossível garantir qualquer velocidade na Internet que funciona na infraestrutura de torres de celulares.

Uma obrigação implica possibilidade -- não se pode obrigar alguém a fazer alguma coisa que seja impossível de ser feita. Garantir a velocidade da conexão 3G é algo praticamente impossível.

Assim sendo, o mais sensato seria proibir as prestadoras de serviço de oferecerem pacotes de Internet 3G com preços diferenciados para velocidades diferentes. Isto é algo que empresas americanas e européias já perceberam há muito tempo. Uma vez que a velocidade depende de uma infinidade de fatores externos à infraestrutura da rede, a única medida que pode ser garantidada é a quantidade de dados.

A melhor opção não é cobrar por velocidade de acesso, mas por quantidade de dados trafegados. Pacotes de Internet 3G devem vendidos conforme a utilização de dados, pois esta á a única forma de oferecer o serviço cumprindo uma oferta que realmente pode ser feita. Quem consome mais, paga por um pacote mais caro. Não interessa muito qual a velocidade de acesso -- já que esta não pode ser controlada de forma direta. O que interessa é quantos MB ou GB você trafegou no período mensal. Ultrapassar esse limite pode implicar em multas ou cobranças adicionais.

Há muito já se percebeu que essa história de Internet 3G Ilimitada foi apenas uma malandragem das operadoras para aumentar as vendas no período de estréia da nova tecnologia. É muito fácil prometer o impossível. Mais difícil ainda é tentar controlar a velocidade de acesso dos clientes que -- naturalmente -- não pode sequer ser garantida dependendo das condições de uso.

Portanto, se alguma pode ser exigida das operadoras é que seja imediatamente proibida a propaganda enganosa que promete a velocidade constante na Internet 3G. Sejamos realistas! Eles prometeram um milagre e as instituições de defesa do consumidor esperam que esse milagre realmente aconteça?

Quarta-feira, Julho 28, 2010

Internet 3G - Minha Paciência Também Tem Limites (parte 6)

2010-07-28 Audiência Instrutiva no JEC

Hoje foi realizada a audiência instrutiva e, se eu não fosse brasileiro, teria rodado a baiana e xingado todo mundo. Não houve nada de interessante na audiência, exceto pelo fato de que agora compareceram dois advogados de verdade :)

Infelizmente, a sentença ainda não foi dada. Esta vai ser enviada em carta com AR pelos correios nos próximos -- pasmem -- quatro meses!


Este foi mais um capítulo da novela Meu brasil Brasileiro.

Segunda-feira, Julho 12, 2010

Não se assuste. Um computador é apenas um maço de baralho.

Existe um número incontável de discussões que circulam pelo mundo afora sobre como lidar com a pirataria e os crimes virtuais. Mas é difícil saber quem tem razão numa disputa quando não se conhece a verdadeira natureza do assunto envolvido. Não vou entrar no mérito de falar sobre os artistas e como é injusto não receberem pelo seu trabalho. Todos concordam que os artistas devem ser recompensados.

Diz a lei que, se o conteúdo for protegido por direitos autorais, então copiar sem permissão é crime sim. “Você está roubando do artista”, dizem por aí. Mas você sabe o que realmente foi roubado? Não se deixe enganar pelas aparências. A indústria do entretenimento vive repetido a mesma conversa fiada, mas copiar uma música ou filme pela Internet é muito diferente de roubar uma laranja ou mesmo um DVD do supermercado do seu bairro. Roubar uma laranja significa retirar o produto físico do supermercado. Roubar um DVD também. Copiar alguma coisa pela Internet é algo completamente diferente.

É muito difícil explicar essa diferença em termos técnicos e detalhados para pessoas que não trabalham na mesma área que eu. Sou desenvolvedor de software e passei quase uma década da vida estudando computadores, como eles funcionam e como criar coisas dentro dele. Não adianta eu falar sobre memória, CPU, HD, Megabytes ou Gigahertz para minha mãe. Para ela, isso tudo não passa de uma sopa de letrinhas. Como a maioria das pessoas, não faz a menor idéia do que significam.

Apesar de não ser especialista em leis e crimes, tenho certeza de pelo menos uma coisa: para classificar alguma atividade como crime, é preciso, antes de mais nada, tomar conhecimento do que realmente aconteceu. Quando alguém faz um download ilegal de um filme pela Internet, você sabe o que realmente aconteceu nesse momento? Se a cópia original continua nas mãos do proprietário, então o que foi roubado? Em todos os anos que trabalhei como desenvolvedor, a única forma que encontrei de explicar isso foi fazer uma analogia prática.

Comprar um computador é como comprar um maço de baralho

Você vai até a loja, passa 12 cheques pré-datados de R$150,00 e volta para casa com uma grande caixa. Dentro dela, você tem um maço de baralho. O que você faz com as cartas é problema seu. Uma das coisas que você pode fazer é colocá-las em cima da mesa e ordená-las, formando algum tipo de desenho ou mosáico.

Eu posso comprar o meu próprio baralho e, ao chegar em casa, fazer qualquer desenho que eu queira, igual ou diferente do seu. Cada um dentro de sua privacidade, pode formar qualquer tipo de desenho arrumando as cartas em cima da mesa. Imagine que um dia você consegue formar um desenho belo e interessante com todas as cartas, uma verdadeira obra de arte. Animado, você pega o telefone e me liga para contar a novidade. Mas ao invés de me chamar para ir até sua casa para ver o desenho, podemos fazer algo diferente. Você me diz pelo telefone como ordenou as cartas na mesa e eu posso criar uma “réplica” com o meu baralho, sem sair de casa! Quando terminar de explicar tudo, nós teremos duas cópias da mesma figura e ambos podemos apreciá-la. Em contrapartida, posso tomar a mesma iniciativa e ligar para outros amigos e explicar a eles como refazer o mesmo desenho, cada um com suas próprias cartas.

Note que, até agora, ninguém roubou nada. Ninguém saiu de casa. Ninguém precisou levantar uma arma. Ninguém perdeu seu baralho e, o mais importante, ninguém perdeu a imagem de vista.

Podemos ir mais longe neste exemplo e reconhecer que o baralho pode ser usado para algo mais do que montar figuras em cima da mesa. Podemos usá-lo para jogar Truco, Uno, Canastra, etc. Seja qual for o jogo, é preciso conhecer as regras para poder jogar. Mais uma vez, posso pegar o telefone e ligar a um amigo que conhece todas as regras. Ele pode explicar tudo sem sair de casa e depois dessa conversa – veja que interessante – agora nós dois temos o jogo de Truco em casa.

Novamente... ninguém roubou nada. Ninguém saiu de casa. Ninguém precisou levantar uma arma. Ninguém perdeu seu baralho e, o mais importante, ninguém perdeu o jogo que tinha em casa.

Mas é só isso que um computador faz, mesmo?

Tenha certeza disso. O seu computador funciona exatamente dessa forma. Através de sinais elétricos, o conteúdo armazenado em um computador longe de você pode ser facilmente replicado dentro do seu. Isso acontece todos os dias, toda vez que você navega pela Internet. A maioria das discussões geradas em cima disso baseiam-se no fato de que o artista que criou o conteúdo – no caso você que criou a figura original com as carta em cima da mesa – precisa ser recompensado por esse trabalho.

Até pouco tempo atrás, a única maneira que se tinha de apreciar a figura que você havia montado era pedir para que uma empresa especializada em fabricar baralhos fizesse um trabalho descomunal. Imaginando que não houvesse o telefone, essa empresa fabricava o maço de baralho, arrumava todas as cartas da mesma forma que você arrumou para montar a figura num quadro laminado com moldura e mandava todas as cópias para diversas lojas onde cada cópia pudesse ser vendida. Parte do dinheiro de cada cópia vendida era repassado a você, o artista. Isso se tornou uma indústria bilhionária ao longo dos anos. Com o surgimento da Internet, essa indústria tornou-se desnecessária e a réplica de conteúdo pela Internet (o surgimento da cultura do CTRL+C CTRL+V) tornou-se uma ameaça ao modelo de negócios que essas empresas praticam. Inevitavelmente, elas se adaptarão ao novo futuro que já está presente na vida de todos. Outras formas de recompensar o artista certamente serão criadas.

Se alguma lei precisa ser criada para enquadrar os “crimes virtuais”, ela precisa no mínimo levar em conta essa analogia prática do baralho. Sem isso, temos apenas o que vemos por aí nos dias de hoje. Juízes, advogados e vítimas que não fazem a menor idéia do que realmente aconteceu. Escondendo-se atrás do jargão “crime virtual”, sabem apenas que perderam dinheiro ou que poderiam ter ganho muito mais se essa bendita Internet não tivesse sido inventada! Alguns não sabem como classificar os crimes. Outros nem sabem se houve realmente algum crime por falta de entendimento do que realmente foi praticado.

Mas a Internet é assim mesmo, é muito jovem. O computador mal havia saído do berço e sua irmazinha Internet já havia nascido. Cresceu rápido demais; nem deu tempo das pessoas se acostumarem com seu irmão mais velho.

Sexta-feira, Julho 09, 2010

A Contabilidade dos Filmes em Hollywood

Fonte: http://www.techdirt.com/articles/20100708/02510310122.shtml

TechDirt.com tem um artigo interessante que mostra um pouco sobre como funciona a contabilidade dos filmes em Hollywood.

Normalmente lemos aquelas notícias de que tal filme arrecadou centenas de milhões de dólares só no primeiro fim de semana. Alguns ultrapassam a marca dos bilhões quando chegam a sair dos cinemas. Com isso, fica difícil engolir os números quando se ouve dizer que um sucesso como Harry Potter e a Ordem da Fênix ARRECADOU quase US$1 bilhão e terminou DEVENDO US$160 milhões!

O artigo comenta que o pessoal do Planet Money fez um podcast inteiro dedicado a tentar explicar como funciona esse esquema, que mais parece uma lavagem de dinheiro. A notícia ganhou mais destaque depois que o relatório financeiro desse filme do Harry Potter vazou pelos tubos da Internet.

Mas afinal… como pode?!?

O segredo, como dizem, está no fato de que um estúdio (e.g. Warner Bros) não financia um filme propriamente dito. Na verdade, toda vez que um filme novo vai ser feito, é criada uma outra empresa para lidar com tudo que se relaciona com a produção dele – contrato com atores, produtores, equipamentos e tudo mais. Essa empresa é usada como fachada, pois ela é quem arca com todas as perdas antes de fechar as portas. Depois que o filme é contabilizado, o relatório financeiro mostra tudo que foi arrecadado e quais foram os gastos. Entre os gastos, encontram-se taxas e compensações exorbitantes ao estúdio. Taxas milhionárias de publicidade, distribuição, direitos autorais, juros absurdos e outras coisas.

Alguns casos estão sendo levados à justiça americana onde os artistas procuram ser recompensados pelo trabalho que fizeram, mas não conseguem receber por que a empresa que os contratou simplesmente não tem dinheiro --- em outras palavras, o dinheiro foi esgotado pagando taxas milhionárias ao estúdio! Alguns casos já venceram e isso deve gerar mais ações do mesmo tipo.

Quando se ouve por aí toda essa propaganda anti-pirataria, tem gente que ainda acredita que a Warner Bros – ou qualquer outra do mesmo nível – esteja realmente ineteressada em pagar aos artistas o que lhes é de direito.

Será que ensinam esse truque no curso de contabilidade da universidade?  ;-)

Quinta-feira, Julho 08, 2010

[Direito do Consumidor] Exija desconto quando Internet ficar fora do ar

Fonte: http://www.idec.org.br/emacao.asp?id=2383

O IDEC mais uma vez publica recomendações relevantes para consumidores de serviços, como Internet Banda Larga. Artigo do IDEC relata como exemplo o problema que houve na Internet da Claro, onde consumidores ficaram sem acesso a Internet devido a pane na infraestrutura. Está disponível para download um modelo de carta que pode ser usado para exijir os direitos formalmente à prestadora de serviço.

No caso da banda larga e do celular pós-pago, os consumidores podem exigir o abatimento proporcional do valor da mensalidade pelo período em que o serviço ficou indisponível. O desconto pelo serviço que não foi prestado deve ser dado pela operadora na próxima fatura.

O interessante dessa notícia é o modelo da carta. Vale a pena fazer o download e guardar para futura referência. O modelo pode ser facilmente adaptado para ocasiões e empresas diferentes.