Foram semanas intensas na comunidade de geeks mundo afora. Afinal de contas, o vídeo promocional que mostrava o Google Wave funcionando parecia um sonho de criatividade e inovação (80 minutos de puxassão de saco entre gerentes de projeto e desenvolvedores). Por um bom tempo, apenas alguns privilegiados tiveram acesso ao ambiente de desenvolvimento temporário (o famoso sandbox). Quando foram anunciados 100 mil convites oficiais, a histeria ficou implantada nos blogs da Internet.Felizmente eu tinha amigos que já haviam entrado e estes acabaram enviando convites para toda a galera. Por vários dias, todos ficaram entediados esperando os convites aparecerem. Foi uma demora de aproximadamente 10 dias entre enviar o convite e o aparecimento do mesmo na caixa postal do convidado. Quando chegou, a alegria tomou conta...
Mas não durou muito tempo, pois foi uma completa decepção!
Desenvolvido com base na mesma tecnologia do GMail, a interface AJAX e dinâmica do Wave supera todas as funcionalidades. Por isso ele pesa, custa muita memória e processamento na máquina do cliente. O único browser que consegue aproveitar (ainda que mais ou menos) todo esse carnaval de AJAX é o Google Chrome, leve e rápido por natureza. Nem mesmo o filho da mesma empresa aguentou o tranco algumas vezes, simplesmente travou e parou de funcionar por completo. No Firefox, a coisa é pior ainda. Tudo é muito lento, pesado. Mesmo em uma conexão de 3Mbps é preciso clicar e esperar as coisas acontecerem -- isso deixa claro que banda não é o problema, mas a quantidade de elementos dinâmicos carregados na página. Enquanto no aeroporto, tentei abrir o Wave no iPhone (só pra fazer aquela experiência básica). Apesar de reconhecer que estava em um browser do tipo mobile, o aplicativo detonou com a memória do iPhone. O Safari não aguenta, trava e morre em questão de minutos. Até poderia falar do Internet Explorer (o mais lento de todos), mas não tive coragem de abrir nesse browser.
Mesmo se a interface fosse leve como o GMail, posso reclamar mais ainda. Apesar de ser fácil encontrar e usar os elementos na tela, as coisas não se encaixam muito bem. Como na promessa feita no lançamento, o Google Wave tenta ser tudo, uma mistura de email, forum, chat, comunidade, etc... Mas ao tentar ser tudo, acaba não sendo nada de bom. Uma hora usando o sistema e já tive vontade de chamar a polícia para prestar queixa contra a poluição visual. Com tanta informação dispersa, você fica confuso. Não sabe se está escrevendo um email, conversando com um colega ao vivo ou discutindo numa thread de forum. A funcionalidade mais irritante é aquela onde você consegue ver em tempo real TUDO o que as outras pessoas estão digitando como resposta. Num tópico com 50 pessoas, você parece que fumou maconha e resolveu entrar numa sala de chat psicodélica; tudo toma vida e você não sabe por onde começar a ler. Aquele botão que faz o playback da conversa -- que deveria ser útil para quem entrou no meio da conversa -- é tão irritante quanto aqueles PPS/PPT que te mandam por email. Clica, clica, clica, clica, clica... mas o sistema grava tudo que todo mundo digitou nos mínimos detalhes. Acabei perdendo a paciência quando percebi que 40% do playback é composto de modificações idiotas, como:
- Fulano iniciou uma resposta
- Fulano apagou a resposta (ainda em branco)
- Fulano digitou lalala
- Fulano apagou o último la do lalala e ficou lala.
- Fulano escreveu um parágráfo
- Fulano colocou uma imagem
- Fulano apagou a imagem
- Fulano escreveu mais lelele
- Fulano apagou apagou o lelele
No final do dia, todos que conseguiram o convite se arrependeram de ter entrado nessa furada. É como entrar num navio de última geração, mas que balança tanto que todo mundo acaba ficando enjoado. Do nosso grupo, foram 10 waves até que todo mundo parasse de usar o sistema. Se muita gente continuar com essa opinião, o Wave corre o risco de se tornar mais um daqueles produtos esquecidos da Google até que resolvam desligar tudo. Do modo como se encontra hoje, pesado e colorido como um carnaval, ninguém sabe no que vai dar. Será que tem futuro? Eu acho que não.
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