Sábado, Outubro 31, 2009

Por que a minha filha só assiste Discovery Kids?

Capture2Ela só tem 5 meses de vida. O controle da televisão tem a mesma utilidade que o pé: enfiar na boca. É aquela fase da vida, parece o chupa-chupa da estrela. Mesmo assim, as imagens coloridas da televisão chamam a atenção e promovem um passa tempo que as vezes o papai e a mamãe precisam para descançar.

Alguns meses antes do nascimento da Leticia, havíamos assinado a Sky -- uma decisão que valeu não apenas para o futuro de nossa filha, mas também para nosso sossego. Não aguentávamos mais ver a cara do Faustão, Ratinho, Gugu, Luciano Hulk, Xuxa, Fátima Bernardes... Novela, então, nem se fala! Quando se chega na casa dos 30 anos de idade, o desespero aperta. Uma troca de olhares com a esposa foi quase que suficiente para assinar um contrato de 18 meses com a Sky: "Já que temos condições, vamos realmente deixar a Leticia crescer vendo essa merda de TV aberta"?

Um ano depois, é fácil perceber: é um sacrifício que valeu a pena. Não sou psicólogo (na verdade, Analista de Sistemas), mas mesmo antes de ter filhos, já conversei com a minha esposa sobre como pretendemos educar nossos filhos. Que livros eles poderão ler? Que músicas eles devem ouvir? Quanta TV eles poderão assistir? E tão importante quanto, que conteúdo eles verão na TV? Não adianta proibir, faço parte de uma família mundana, é claro que assistimos TV. E muito! Resta apenas decidir o canal. Enquanto os filhos não têm capacidade de escolher por si mesmos, somos nós que escolhemos por eles. Agora que temos nossa primeira filha, é hora de colocar essa idéia em prática.

Capture4 Enquanto ela não tiver a capacidade de segurar o controle remoto e escolher um canal sozinha -- I'm sorry, baby -- Discovery Kids é o único canal que ela vai assistir. Não tem argumento, mesmo porque ela nem consegue falar enquanto a baba escorre da boca dela. Em meio a uma centena de canais, pelo menos seis são voltados ao público infantil. Dentro dessa meia dúzia, a Discovery Kids ganhou o troféu aqui em casa.

Muito infantil?

À primeira vista, parece ser um canal infantil demais para ser levado a sério. Mas ao longo do tempo é possível perceber que existe uma enorme diferença entre a Discovery Kids e os outros canais infantís (Disney, Nickelodeon, entre outros). Como qualquer canal do pacote, a programação é bem diversificada e o conteúdo é descentemente moderno. Desenhos animados com tecnologia digital enchem a tela com cores, texturas e animações diferentes. A primeira característica que chama a atenção é a AUSÊNCIA COMPLETA DA VIOLÊNCIA. Perceba como é fácil encontrar desenhos que começam com uma história simples e acabam em mentiras, fraudes, socos, pontapés, explosões e todo tipo de briga por motivos fúteis. Foi assim que percebi o quanto estava acostumado a assistir atos de violência.

Quando a violência desaparece, você nota a diferença.

Capture3 A grade de programação é visivelmente escolhida a dedo. Sem muita supresa, boa parte do conteúdo é importado de países mais conservadores, como a Inglaterra ou Canadá. Nos horários nobres, é possível encontrar programas educativos como As Aventuras de Bindi. Junto com a família, Bindi percorre diversos lugares do mundo mostrando animais de toda espécie, explicando suas características num linguajar claro e simples; não são raras as ocasiões em que chega a ser mais interessante e informativo que o próprio Globo Repórter.

imageO simpático Mister Maker estimula a criatividade artística da criançada com trabalhos manuais que usam objetos do dia-a-dia. Com um pouco de tinta, cola e papéis coloridos, ele mostra técnicas de arte e fotografia que podem ser facilmente usadas por crianças que estejam na idade certa. Além das atividades práticas, quadros específicos, como a dança das formas e as crianças coloridas, enfatizam conceitos básicos e elementos artísticos.

image Com os Mecanimais, um grupo de cinco superamigos reforça constantemente a idéia de que nada é impossível para quem usa a cabeça e trabalha em equipe. No início de cada episódio, o Corujão envia os Mecanimais para uma nova missão, onde devem trabalhar juntos para solucionar um problema. Cada Mecanimal possui suas próprias habilidades e nenhum deles consegue resolver o problema fazendo tudo sozinho. A baixa complexidade dos problemas pode fazer com que você não preste atenção, passando despercebido pela maior lição que essas histórinhas podem passar ao seu filho: a aplicação prática do instrumento científico; primeiro observa-se para depois tirar conclusões baseadas em fatos. Na mesma linha de pensamento, segue O Peixonauta, um desenho de autoria brasileira com o mesmo teor científico.

image A Garota Supersábia jamais derrota um criminoso apelando para violência bruta. Ao invés disso, usa seu extenso vocabulário para esclarecer as idéias e colocar as coisas no lugar. Outra coisa que não vemos, são os irmãos Charlie e Lola quebrando-se em tapas, disputando a atenção de pais e colegas. Preferem conversar, enquanto Charlie demonstra um inigualável exemplo de paciência, carinho e dedicação ao crescimento e desenvolvimento da irmã mais nova.

Enquanto seu filho cresce passando pelo desenvolvimento dos sentidos e dos objetos, o divertido Pocoyo acompanha essa etapa da vida. Brincando, conhecendo o mundo e fortalecendo amizades num cenário inteiramente branco, devidamente colocado para não desviar a atenção da criança do conteúdo educativo.

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Entre essas e outras, sou capaz de deixar minha filha assistindo esse canal sem a menor das preocupcações. O conteúdo não apela e é sempre voltado ao tema educativo. Evita a polêmica, conflitos e discussões que não levam em nada. Não oferece aquela visão do mundo "separatista", onde o bem luta contra as forças do mal usando bombas, armas e a manipulação de fatos e pessoas. Não existem propagandas da Honda, Hugo Boss, McDonald's ou Coca-Cola. Pelo contrário, o mascote da Discovery Kids, o cãozinho Doki, repete o dia inteiro músicas que lembram a criança que quantos mais amigos na vida, melhor. Que praticar esportes faz bem a saúde. Que reciclar e preservar a natureza é um dever de todos. É um bombardeio constante de melodias cativantes reforçando incansavelmente que "somos seis bilhões, em seis continentes. Tão parecidos, tão diferentes. E que você, ele, ela e eu temos o mesmo coração".

Ela vai assistir alguma coisa além disso? Por enquanto, não! Quando ela tiver idade suficiente, vai conseguir apertar as teclas do controle e escolher um canal sozinha. Quando esse dia chegar, ela pode escolher o que quiser assistir -- lembrando sempre que a Globo, Record e SBT estarão permanentemente trancadas com senha. Com tanta coisa pra ver numa TV por assinatura, Faustão, Xuxa, Didi e Ratinho jamais terão o menor espaço no cotidiano da minha filha.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

DDOS: Divine Denial of Service

A Fundação de Ateístas da Austrália (Atheist Foundation of Australia) criou uma campanha no Facebook com a intenção irônica de promover um ataque de negação de serviço contra Vossa Divindade (seja Ele o Deus cristão, Zeus, Egípcio, Rá, qualquer outro). O ataque é chamado de DDOS ('Divine' Denial of Service).

O grupo convoca todos aqueles de pouca ou nenhuma fé a conduzir um ataque coordenado de orações, que deve ser realizado no dia 8 de novembro às 8pm EST em ponto (9am GMT). Sua oração pode ser de qualquer natureza, como um simples pedido inútil. A intenção é criar uma grande onda de orações insignificantes de tal forma que Deus não consiga dar conta de todas elas. Se tudo correr como esperado, Deus não aguentará o tranco e entrará em modo offline como resultado do ataque.

Será que isso abrirá uma brecha para as forças do mal entrarem em ação? Acredite se quiser!

[Idéia de Jirico] Accoustic Kitty

Accoustic Kitty é o nome de um projeto da CIA criado na década de 1960 que tinha o propósito de usar gatos para espionar e ouvir conversas alheias. Um microfone junto com sua bateria eram cirugicamente implantados dentro do corpo do animal, enquanto que a antena no rabo. Devido a problemas de dispersão e falta de regularidade no comportamento dos gatos, os animais precisavam ser constantemente monitorados e alimentados através de uma força-tarefa em paralelo à missão de espionagem. Estima-se que os gastos com cirurgias e treinamento tenham ultrapassado US$ 20 milhões.

A primeira missão desse projeto foi conduzida num parque na cidade de Washington, EUA, para ouvir uma conversa entre dois homens. O gato foi solto nas redondezas, mas logo em seguida foi atropelado por um taxista da região. Pouco tempo depois disso, o projeto foi arquivado por ser considerado um completo fracasso.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Desvendado o mistério da Mona Lisa

O sorriso da Mona Lisa já foi estuado por diversos cientistas curiosos. Em alguns momentos, ela parece estar sorrindo e em outros parece estar com semblante sério.

Estudos recentes revelam a fonte do mistério dessa pintura. Estudos anteriores, já havia comprovado que o sorriso da Mona Lisa é mais percebido quando observado pela visão periférica -- ao invés do olhar direto. Isso ocorre porque nossos olhos não processam a informação visual de forma constante. As terminações nervosas da retina nem sempre interpretam a mesma luz do mesmo modo em momentos diferentes. As células da retina formam grupos que mandam sinais diferentes para partes diferentes do cérebro -- informações como o tamanho, luminosidade e claridade do objeto observado. As vezes, um grupo de células predomina sobre outro para enviar essas informações e você pecebe um "sorriso". Outras vezes, outro grupo de células predomina e você percebe um olhar de "seriedade".

O verdadeiro truque é como Da'Vinci conseguiu pintar o rosto da Mona Lisa numa margem tão próxima entre as duas percepções (sorriso e seriedade) que até mesmo a menor variação sensorial no olho humano é capaz de mudar levemente a figura dela.

Fonte original: http://www.newscientist.com/article/dn18019-mona-lisas-smile-a-mystery-no-more.html

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Como desbloquear usuários do Twitter

Aconteceu comigo ainda hoje. Recebi um email do Twitter dizendo que havia alguém solicitando minha permissão para me seguir. Quando entrei lá, na verdade haviam quatro solicitações pendentes -- o Twitter enviou apenas a mais recente delas.

Por engano, cliquei errado em uma delas acabei bloqueando um pobre coitado que queria me seguir. Nem sei quem é, não prestei atenção no nome dele e agora nem me lembro do login que ele tinha. Se você procurar nas configurações do Twitter, não encontra uma lista de usuários que você bloqueou. Nas páginas de ajuda, existe a penas adica (inútil) dizendo que tenho que entrar na página do perfil do bloqueado para então clicar no botão para desbloquear... mas esse é o problema. Eu não lembro quem foi bloqueado! Maldito! Essa lista não existe no Twitter... pelo menos não oficialmente.

E por isso nem tudo está perdido. Se você bloqueou alguém e não lembra mais do nome ou do login dele, pode acessar esta página:

http://twitter.com/blocks/blocking.xml
(lembre-se de estar previamente logado em sua conta)

Essa lista não está disponível em formato HTML, com links para você controlar e gerenciar os usuários que você bloqueou. É uma lista XML destinada à API de programação, para que outros programas possam acessar e controlar. Nesse XML, procure pela tag screen_name.


Dentro dela, você encontra o login do usuário que está bloqueado. Podem haver mais dessas tags se você tem mais de um usuário na sua lista. Agora que sabe o login dele, pode entrar na página de perfil dele (que nesse caso seria http://twitter.com/Owens_801) e clicar no botão para desbloquear.

Simples assim! Num futuro próximo o pessoal do Twitter deve criar essa página... apesar de ser um problema conhecido há alguns anos já.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Computadores e Pirataria - O Maior Abacaxi da História da Humanidade

Os dias da pirataria estão contados. Mas não fique desanimado, pois num futuro não muito distante ainda poderemos baixar filmes, fotos e músicas num ritmo ainda mais alucinante... a diferença é que "copiar" não será mais chamado de "pirataria". As regras do jogo serão diferentes e as leis serão adaptadas para um novo estilo cultural; uma geração de jovens que não conhecem os limites da Internet. Essas palavras parecem um sonho, uma utopia. Mas na opinião de alguém que vive e trabalha no mundo dos computadores e da Internet, acredite, estamos a poucos passos dessa realidade.

A História da Máquina que Copiava
Quando os computadores modernos foram inventados, na década de 1940, sua principal finalidade era acelerar operações e cálculos matemáticos. O exército era o maior interessado, pois quem fizer as contas mais rápido pode tomar decisões mais rápidas. Dentre todos os engenheiros envolvidos nesse tipo de pesquisa, NENHUM deles tinha o menor interesse em proteger direitos autorais ou garantir o controle de conteúdos artísticos. Nenhum exército precisa disso para ganhar uma guerra. E por isso o computador nasceu aberto. Dentre todas as suas peças (CPU, memória, barramento, armazenamento, controladora de periféricos, etc.) , NENHUMA foi concebida pensando-se na queda de vendas dos DVDs ou CDs de músicas mundo afora. Toda sua arquitetura é inerentemente aberta. Isso quer dizer que, em seu nível mais básico de funcionamento, não existem peças ou parafusos feitos para proteger a informação.

Não vou entrar no mérito de criar uma aula de história, mas o importante é lembrar que o computador, conforme foi concebido e continua sendo até hoje, não passa de uma GRANDE máquina de fazer cópias. Além de fazer cálculos simples (somar, subtrair, multiplicar e dividir), todo o seu funcionamento é baseado na cópia de informações. Para iniciar um programa, este é inteiramente copiado do armazenamento (disco) para a memória. Depois, cada operação realizada pelo programa é copiada da memória para a CPU para ser executada. Os valores de cada operação podem ser copiados do disco para a memória ou podem ser copiados do barramento dos periféricos (teclado, mouse, etc.) para a memória. Depois disso, esses valores ainda devem ser copiados da memória para a CPU onde serão utilizados pelo programa. O resultado de cada operação não pode ficar na CPU, logo são copiados novamente para a memória de onde podem ser copiados para o disco, evitando que sejam perdidos depois que o computador for desligado.

Isso é assim para TODOS os computadores de qualquer marca, modelo ou arquitetura. Mesmo hoje, com todo esse catatau de conectividade da Internet e redes wireless, nada é diferente. A CPU continua processando informações que foram copiadas da memória, mas hoje essas informações podem ser copiadas para sua placa de rede. A placa de rede copia a informação na forma de sinais elétricos que são enviados pelo cabo até serem capturados pelo computador mais próximo. Neste outro computador, outra placa de rede remonta a cópia da informação para que possa ser copiada para a memória e novamente copiada para a CPU para ser processada. Sempre foi assim, e sempre será. Na perspectiva do hardware (ou seja, do equipamento físico), em nenhum momento nessa montanha de cópias é feito qualquer tipo de proteção do conteúdo. A informação é livre, aberta, disponível para qualquer dispositivo que tenha capacidade de observar um sinal elétrico e propagá-lo adiante. Neste nível mais básico, nenhum computador sabe o que é "proteger um conteúdo". Não existe proteção. Não existe senha. Nada tem dono e tudo é de todo mundo. Tudo é aberto, livre e desprotegido, pois é preciso manter as informações consistentes entre os diversos dispositivos.

Então por que eu tenho senha para entrar no meu e-mail?
Em cima dessa arquitetura inerentemente aberta foram construídos todos os serviços e utilidades digitais que conhecemos hoje. Todas as comodidades alcançadas com o computador são naturalmente desprotegidas. A única forma de proteger as informações que entram no computador é criptografar. Em outras palavras, é preciso embaralhar as informações antes de serem enviadas a outro computador. Depois que o outro computador recebe, é preciso desembaralhar tudo de novo para voltar o conteúdo à sua forma original. Um detalhe MUITO IMPORTANTE, mas que parece passar despercebido por quase TODA a socidade é que esse trabalho de criptografar e proteger o conteúdo não é feito pelos dispositivos físicos do computador, mas por um programa. São algoritmos de criptografia especializados em misturar e embaralhar as informações para que fiquem ilegíveis. É um segredo (igual à sua senha) que fica bem guardado até que outro computador, que também conhece esse segredo, possa desfazer essa mistura e acessar o conteúdo. Infelizmente não passa de mais um programa e aí é que mora o verdadeiro problema.

Pense bem a respeito... se você manda uma e-mail criptografado para seu amigo, quer dizer que antes de mandar a mensagem você embaralhou muito bem as letras para que ninguém no meio do caminho pudesse ler o conteúdo. Afinal de contas, haverão centenas de cópias dessa mensagem ao longo dos vários computadores que ficam entre você e seu amigo. Quando seu amigo receber essa mensagem o computador dele deve desfazer essa mistura das letras para poder ler o conteúdo. Tudo isso é feito pelos programas que ficam instalados nos dois computadores. Não existe equipamento físico com essa finalidade. Esse exemplo demonstra claramente o funcionamento básico de toda proteção de conteúdo atualmente em uso.

Para proteger um arquivo ZIP, você usa uma senha. Para proteger uma música, o iTunes usa o DRM, que mistura o conteúdos das músicas antes de enviá-las ao seu computador. Isso garante (ou melhor dizendo, tenta garantir) que apenas o seu computador e o seu iPod possam ter acesso ao conteúdo. Para proteger um e-mail, você usa um certificado -- que no fundo não passa de uma senha muito grande. Em todas essas ocasiões, é preciso fazer uma criptografia e depois desfazer tudo de novo para ler seu e-mail ou ouvir sua música favorita. Esse é o calcanhar de Aquiles da nossa tecnologia. Tudo aquilo que é feito no computador, é feito por algum programa... e pode ser desfeito com a mesma facilidade. Basta conhecer o "segredo" usado para misturar as letras. Uma vez aberto, o conteúdo permanece nesse meio digital extremamente volátil e volta a ser intensamente copiado de um lugar para outro sem o menor tipo de controle.

Copiar é Preciso
Atualmente, é tão fácil copiar um conteúdo de um lugar para outro que nem mesmo sua mãe consegue evitar. Eu digitei meu trabalho para a faculdade e preciso levar até o professor para corrigir. Para isso, preciso fazer uma cópia do trabalho para dentro do pendrive. Ao chegar na faculdade, preciso fazer uma outra cópia do pendrive para dentro do computador que tenha acesso à uma impressora. Ao imprimir, outra cópia é enviada do computador para a impressora. A impressora, por sua vez, faz uma cópia do seu arquivo em formato de "tinta no papel". Depois disso, para mostar que sou um bom amigo, mando uma cópia desse trabalho para o e-mail de meus colegas -- só no ato de enviar o e-mail já são criadas dezenas de cópias que ficam armazenadas em diversos servidores da internet.

Até mesmo o seu velho amigo browser -- aquele que você usa para navegar na Internet (Firefox, Internet Explorer, Opera, Safari, Chrome) -- vive fazendo cópias o tempo todo. Toda vez que você abre uma página na Internet, todo o seu conteúdo (incluindo texto, imagens, fotos, vídeos) é copiado para uma pasta no seu computador para somente depois ser mostrado na sua tela. Quando você escuta uma rádio pela Internet, uma cópia da música também é criada no seu computador para depois ser reproduzida. Essas cópias ficam armazenadas no seu computador por um bom período de tempo e mutia gente nem sabe disso.

Copiar é como respirar. Não se pode viver -- e muito menos ganhar dinheiro -- em nosso mundo tecnológico sem fazer centenas, ou até milhares, de cópias de uma coisa só. É assim que os computadores funcionam e para mudar isso seria preciso jogar todos os computadores do mundo no lixo (isso mesmo, TODOS) e inventar tudo de novo de uma forma bem diferente.

Cucamber! Cucamber! Cucamber!
Quando a indústria de entretenimento -- com toda sua economia multi-bilionária de música e filmes -- iniciou investimentos nessa nova tecnologia, parece que ninguém parou para pensar nas conseqüências dessa arquitetura. Afinal de contas, nenhum jornal, estúdio, agência de publicidade ou distribuidora tinha engenheiros da computação prontos para colocar isso em evidência. Comprar computadores parecia a melhor idéia do mundo. Pode-se criar mais rápido, produzir mais rápido, distribuir mais rápido e vender mais rápido. "Nossos lucros vão subir até as núvens", devem ter pensado! Mal se deram conta de que estavam investindo quase todo seu futuro numa tecnologia que faz pouco caso dos conceitos mais importantes dessa indústria, como a propriedade intelectual e os direitos autorais. Na minha opinião, esse pode ser considerado o maior pepino já comprado em toda a história da humanidade, pois nenhuma dessas empresas (Universal, Warner Bros, Paramount, Dreamworks, ABC, NBC, Fox, CNN, e todas as outras) tinham a menor idéia do abacaxi que teriam que descascar. Hoje nenhuma delas vive sem computadores.

E agora, essas empresas começam a perceber o tamanho desse abacaxi. Numa tentativa desesperada de manter seu modelo econômico sem precisar mudar seus conceitos, muitas apostaram em iniciativas que prometem "acabar com a pirataria" -- assim surgiu a RIAA e outras empreitadas similares. Em vista de tanta gente fazendo cópias e cópias de suas produções milhonárias, viram uma oportunidade de recuperar o prejuízo: processar qualquer alma viva que tenha compartilhado alguma coisa na internet. Já se foram mais de 30 mil processos na justiça contra pessoas físicas (entre adolescentes, professores, avós e donas de casa) que rechearam a Internet com notícias cabeludas. Sites famosos que apenas "catalogam" conteúdo que outras pessoas fornecem -- como Mininova.org, RapidShare ou MegaUpload -- estão constantemente na mira dos advogados mais bem pagos da Califórnia. Recentemente, ThePirateBay.org foi desmantelado e acabou sendo vendido para uma empresa de jogos.

O Futuro é Aberto
Enquanto isso, a tecnologia continua "bombando". Inovações e novos serviços surgem num passo muito mais rápido que os demorados "bimestres financeiros" das grandes empresas. É possível ver novas idéias e novas tendências aparecendo toda semana. Tudo isso tirando proveito do acesso direto à informação e ao conteúdo, que aliás continua se tornando cada vez mais aberto e acessível. Quanto mais uma empresa tenta fechar seu conteúdo, mais ela se afunda na própria lama.

Recentemente, encontrei notícias de que esse futuro está próximo. Numa discussão pública sobre como se proteger dessas empresas que correm atrás de tudo mundo, um usuário (M4st3rM4x1997) identificou-se como sendo alguém que já trabalhou 5 anos para a MediaSentry, uma das empresas que trabalham contra a pirataria nos EUA. Ele acabou respondendo várias perguntas de diversos usuários sobre as atividades dessas empresas. Em uma de suas confissões, ele desabafa:

Não sei dizer quais serão seus próximos passos, pois fui desligado da empresa ano passado, junto com praticamente metada dos funcionários da MediaSentry. Posso dizer que até então, quase todas as atividades da empresa já haviam sido encerradas, pois, honestamente falando, a maioria de nossos clientes já não está mais interessada em correr atrás de redes piratas e destruí-las. O foco parece estar se voltando para o monitoramento das redes e das tendências dos downloads. Isso os ajuda a perceber quais os verdadeiros interesses dos clientes em seus produtos. Assim, podem tomar decisões mais precisas de como aumentar a sua renda. É aí que está o dinheiro, na Inteligência de Negócios (BI).

Ao longo dos anos, coletamos uma infinidade de informações e descobrimos que éramos capazes de prever com precisão as bilheterias dos cinemas e as vendas de DVD em uma determinada cidade com base na análise do tráfego P2P dessa região. As famosas "Cartas de Aviso" continuarão sendo enviadas aos provedores de Internet e usuários infratores, mas elas não têm a menor autoridade jurídica. As campanhas de ações judiciais provavelmente já terminaram, pois são extremamente caras. A RIAA gasta milhões de dólares coletando informações de usuários infratores e outros milhões tentando correr atrás dos direitos autorais judicialmente.
E isso é apenas o começo de uma história que já vem se arrastando ao longo de toda a minha geração, que nasceu sem Internet. Acredite nas palavras de um profissional que tira seu sustento entendendo computadores e desenvolvendo soluções para empresas de todo tipo. Na era da informática, onde o conteúdo é digital, correr atrás dos piratas é correr atrás do prejuízo. É correr atrás de bilhões de pessoas que já vivem no futuro. E a realidade do futuro é outra. Copiar não é apenas preciso, mas também inevitável e imprescindível. Os conceitos de direitos autorais e propriedade intelectual já sofrem pelo fato de estarem defasados e incompatíveis com a realidade. Enquanto continuarem presos na idéia de que é preciso pagar para ouvir uma música, os únicos que continuarão ganhando (MUITO) dinheiro serão apenas os advogados.

Domingo, Outubro 11, 2009

Google Wave - Como uma onda no mar 2.0

Foram semanas intensas na comunidade de geeks mundo afora. Afinal de contas, o vídeo promocional que mostrava o Google Wave funcionando parecia um sonho de criatividade e inovação (80 minutos de puxassão de saco entre gerentes de projeto e desenvolvedores). Por um bom tempo, apenas alguns privilegiados tiveram acesso ao ambiente de desenvolvimento temporário (o famoso sandbox). Quando foram anunciados 100 mil convites oficiais, a histeria ficou implantada nos blogs da Internet.

Felizmente eu tinha amigos que já haviam entrado e estes acabaram enviando convites para toda a galera. Por vários dias, todos ficaram entediados esperando os convites aparecerem. Foi uma demora de aproximadamente 10 dias entre enviar o convite e o aparecimento do mesmo na caixa postal do convidado. Quando chegou, a alegria tomou conta...

Mas não durou muito tempo, pois foi uma completa decepção!

Desenvolvido com base na mesma tecnologia do GMail, a interface AJAX e dinâmica do Wave supera todas as funcionalidades. Por isso ele pesa, custa muita memória e processamento na máquina do cliente. O único browser que consegue aproveitar (ainda que mais ou menos) todo esse carnaval de AJAX é o Google Chrome, leve e rápido por natureza. Nem mesmo o filho da mesma empresa aguentou o tranco algumas vezes, simplesmente travou e parou de funcionar por completo. No Firefox, a coisa é pior ainda. Tudo é muito lento, pesado. Mesmo em uma conexão de 3Mbps é preciso clicar e esperar as coisas acontecerem -- isso deixa claro que banda não é o problema, mas a quantidade de elementos dinâmicos carregados na página. Enquanto no aeroporto, tentei abrir o Wave no iPhone (só pra fazer aquela experiência básica). Apesar de reconhecer que estava em um browser do tipo mobile, o aplicativo detonou com a memória do iPhone. O Safari não aguenta, trava e morre em questão de minutos. Até poderia falar do Internet Explorer (o mais lento de todos), mas não tive coragem de abrir nesse browser.


Mesmo se a interface fosse leve como o GMail, posso reclamar mais ainda. Apesar de ser fácil encontrar e usar os elementos na tela, as coisas não se encaixam muito bem. Como na promessa feita no lançamento, o Google Wave tenta ser tudo, uma mistura de email, forum, chat, comunidade, etc... Mas ao tentar ser tudo, acaba não sendo nada de bom. Uma hora usando o sistema e já tive vontade de chamar a polícia para prestar queixa contra a poluição visual. Com tanta informação dispersa, você fica confuso. Não sabe se está escrevendo um email, conversando com um colega ao vivo ou discutindo numa thread de forum. A funcionalidade mais irritante é aquela onde você consegue ver em tempo real TUDO o que as outras pessoas estão digitando como resposta. Num tópico com 50 pessoas, você parece que fumou maconha e resolveu entrar numa sala de chat psicodélica; tudo toma vida e você não sabe por onde começar a ler. Aquele botão que faz o playback da conversa -- que deveria ser útil para quem entrou no meio da conversa -- é tão irritante quanto aqueles PPS/PPT que te mandam por email. Clica, clica, clica, clica, clica... mas o sistema grava tudo que todo mundo digitou nos mínimos detalhes. Acabei perdendo a paciência quando percebi que 40% do playback é composto de modificações idiotas, como:
  • Fulano iniciou uma resposta
  • Fulano apagou a resposta (ainda em branco)
  • Fulano digitou lalala
  • Fulano apagou o último la do lalala e ficou lala.
  • Fulano escreveu um parágráfo
  • Fulano colocou uma imagem
  • Fulano apagou a imagem
  • Fulano escreveu mais lelele
  • Fulano apagou apagou o lelele
No final do dia, todos que conseguiram o convite se arrependeram de ter entrado nessa furada. É como entrar num navio de última geração, mas que balança tanto que todo mundo acaba ficando enjoado. Do nosso grupo, foram 10 waves até que todo mundo parasse de usar o sistema. Se muita gente continuar com essa opinião, o Wave corre o risco de se tornar mais um daqueles produtos esquecidos da Google até que resolvam desligar tudo. Do modo como se encontra hoje, pesado e colorido como um carnaval, ninguém sabe no que vai dar. Será que tem futuro? Eu acho que não.