Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Paradox: Velhas idéias, novas histórias alucinantes!

Para quem visita o perfil no IMDB, não encontra sequer uma imagem ilustrativa. Paradox é uma daquelas séries que passam despercebidas, sem muita atenção -- não é nem de autoria americana, aliás, produzido no Reino Unido e estreiado em meados de novembro de 2009. Poucos são aqueles que já ouviram falar dela aqui no Brasil.

image

A série se baseia na mesma teoria em que se apoiam Lost e FlashForward. Quando comecei a assistir, achei que fosse se transformar num grande repeteco. Afinal de contas, podemos ou não mudar nosso futuro? Estamos no controle? Ou estamos apenas assistindo de platéia o nosso destino? Parecia impossível contar uma história diferente batendo na mesma tecla.

Lá vamos nós, oura vez…

Nos laboratórios do Departamento de Defesa do Reino Unido, o cientista Simon Manning trabalha analisando dados enviados pelo satélite que ele mesmo inventou, Prometheus. Tudo vai bem, até que numa noite misteriosa, o satélite começa enviar fotos de origem desconhecida para a estação de Simon. Todas as fotos possuem a mesma marca de data e hora de criação e as imagens parecem indicar que uma catástofre está prestes a acontecer. Entre corpos e destroços, um celular marca a data e hora da tragédia, que aparentemente deve ocorrer em menos de 10 horas -- visão do futuro? A detetive Rebecca Flint, junto com sua equipe, é chamada para investigar o assunto. Assim, começam a montar o quebra-cabeça. Enquanto a equipe de Rebecca se mata para descobrir o que vai explodir, quem vai morrer e onde, Simon torna-se intrigado com a origem as fotos.

A princípio, a série não impressiona. Como espectador, talvez demore um pouco para entender o contexto e o rumo da história. Entre conversas rápidas sobre universos parelelos e buracos de minhoca, a tensão aumenta de forma sutil. Com histórias paralelas e personagens que, a princípio, são independentes, é fácil ficar perdido no início. Mas a ansiedade começa a tomar conta e você nem percebe. Quando menos espera, está de olhos arregalados tentando entender como é que tudo se encaixa! Será uma bomba? Será um atentado terrorista? Ou apenas um acidente trágico? Aahhhrrg!!!

image

Desde já deixo meu aviso de cuidado. As críticas iniciais da série não foram nada boas. Parece que pouca gente gostou por lá, na terra de onde veio. Há quem reclame que não haveria motivo de suspense se não fosse o grande relógio vermelho em contagem regressiva que vive aparecendo entre as tomadas. Rebatendo essas críticas, resolvi dar boa nota para a nova série. Meu único receio é que seja cancelada por falta de audiência.

Praticamente não há efeitos especiais e o alicerce de todo episódio é a complexidade das pequenas histórias, cada uma com seus pequenos detalhes, que ao final encaixam-se perfeitamente culminando na tragédia prevista pelas fotos misteriosas vindas do satélite mágico. Se você gosta de montar quebra-cabeças e juntar os pedaços para resolver um mistério, vai ter boas horas de diversão acompanhando as investigações da Operação Talismã – nome dado pelo serviço secreto ao trabalho que envolve a investigação das fotos que parecem vir do futuro.

Vale a pena e recomendo! O sotaque e o volante no outro lado do carro quebram aquele clima americano que estamos acostumados. O enredo é bem pensado e especialmente voltado para quem gosta de acompanhar um mistério sem-pé-nem-cabeça. Não se deixe levar pelo pessimismo de que tudo parece ficção científica… Na verdade é isso mesmo. Se quiser ver algo verdadeiro e concreto, volte a assistir Lost ou FlashForward… isso sim é baseado em fatos reais (???).

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Tem N3rd pra tudo na vida!

Um usuário anônimo das Internets resolveu armar uma pegadinha com seu amigo depois de ter sido padrinho no casamento dele. Enquanto o casal viajava em lua de mel, ele entrou na casa dos recém-casados e armou um dispositivo escondido na cama do casal. Um sensor de pressão consegue detectar quando eles estão transando e, no final da maratona, envia mensagens ao Twitter com informações sobre a performance do casal! A mensagem é curta e contém dados informando que horas começou, quando terminou e qual foi a nota de 1 à 10 conforme a intensidade das batidas.

O espertinho criou todas as contas de forma anônima, mas é claro que daqui a pouco já devem descobrir e tiram do ar. Enquanto isso, os curiosos acompanham as transadas do casal nessa conta do Twitter: http://twitter.com/newlywedsontjob

Fonte original, Slashdot: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/12/13/AR2009121300007.html?waporef=ak

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Um Pálido Ponto Azul (Carl Sagan)

A imagem do Pálido Ponto Azul (A Pale Blue Dot) é uma foto que foi tirada pela Voyager 1 em 1990. Inspirado pela imagem, o famoso cientista Carl Sagan escreveu até um livro de mesmo título.

Sempre que revejo essa foto, não me canso de ler novamente o discurso dado por Sagan em 1996. A foto e o discurso já são antigos, mas não envelhecem nunca.


Olhem de novo para esse ponto. Esse ponto é aqui, nosso lar. Nesse ponto todos as pessoas que você conhece, todos aqueles dos quais você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveu a vida deles. O conjunto de todas as nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e suas presas, todos os heróis e covardes, todos os criadores e destruidores de civilizações, todos os reis e plebeus, todos os casais apaixonados, todas as mães e pais, todas as crianças esperançosas, todos os inventores e exploradores, todos os ensinadores morais, todos os políticos corruptos, todas as celebridades, todos os líderes supremos, todos os santos e pecadores na história de nossa espécie, viveram aqui -- nessa partícula de poeira suspensa num raio de luz.

A Terra é apenas um minúsculo cenário na vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados pelos imperadores e generais para que, num momento de glória e triunfo, pudessem se tornar mestres de apenas um pedaço desse ponto. Imagine as incontáveis crueldades impostas aos habitantes que foram visitados pelos que viviam do outro lado desse pixel; quão frequente eram seus desentendimentos, quão ávidos por matar uns aos outros, quão grande eram seus ódios.

Nossa postura, nossa imaginária auto-importância, a ilusão de que vivemos em um lugar privilegiado do Universo, tudo isso é colocado em cheque por esse pálido ponto de luz. Nosso planeta é apenas uma partícula cercada cosmicamente por um vasto e escuro Universo. Diante de nossa obscuridão, em toda essa vastidão, não há o menor indício de alguém venha nos ajudar e nos salvar de nós mesmos.

Até agora, a Terra é o único planeta capaz de suportar a vida. Não há nenhum outro, pelo menos num futuro próximo, para o qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez. Assentar, ainda não. Goste ou não, por enquanto a Terra é o que temos.

Dizem que a Astronomia é uma experiência humilde e fortalecedora. Talvez não haja melhor exemplo das tolices dos conceitos humanos que essa minúscula imagem do nosso mundo. Para mim, ela ressalta nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, de preservar e cuidar desse pálido ponto azul, o único lar que conhecemos.

-- Carl Sagan > Traduzido e adaptado do texto original.

Sábado, Dezembro 05, 2009

A Versão 1.0 É Ruim, Mas Vamos Lançar Assim Mesmo

>> Traduzido e adaptado do artigo do blog Coding Horror.
>> Translated and adapted from this Coding Horror blog post.

Nunca estive contente com nenhum software que já tive de liberar. De certa forma, como muitos outros desenvolvedores, sou perfeccionista. Em cima disso, os problemas inevitáveis sempre aparecem:

  • O cronograma é muito agressivo. Precisamos de mais tempo!
  • Tivemos problemas inesperados que nos forçaram a tomarmos decisões desagradáveis.
  • A arquitetura do sistema estava errada, precisou ser modificada no meio do projeto.
  • Tivemos atritos na equipe, discussões que não puderam ser antecipadas.
  • O cliente não era exatamente aquilo que achávamos.
  • A comunicação entre arquitetos, desginers e desenvolvedores poderia ter sido mais eficiente.
  • Superestimamos nossa capacidade de aprender uma nova tecnologia.

Essa lista continua e não termina. Razões para que um projeto falhe não faltam.

Ao final do desenvolvimento, você se depara com um sistema que é apenas uma sombra daquele monumento da engenharia de software que foi vislumbrado no início do projeto. Vem aquela tentação de jogar a toalha – acrescentar mais tempo ao cronograma para fazer a coisa do jeito certo. Afinal de contas, um desenvolvedor de verdade sempre libera uma versão.

Apesar disso, estou aqui para dizer exatamente isso: não liberar seria um erro.

Sim, você fez muita coisa errada nesse projeto. Além disso, também fez muitas outras coisas erradas das quais nem sabe ainda. E não há meios de descobrir quais são elas a não ser entregando seu sistema para os clientes e usuários. Donald Rumsfeld já disse sabiamente:

Como se sabe,
Existe o conhecimento conhecido.
Aquilo que sabemos que sabemos.

Também se sabe,
Existe o desconhecido conhecido.
Ou seja, sabemos que existe algo que não conhecemos.

Mas existe também o desconhecido não conhecido.
Aquilo que nem sabemos
Que não conhecemos.

Ao final de um projeto – marcado pelas gambiarras de última hora e pelas correçõe mal acabadas – você pode se curvar e limpar a bagunça. Reunir toda a equipe de novo e gastar algum tempo arrumando e melhorando a primeira versão antes de ser liberada. Pode até se sentir melhor por tomar essa decisão difícil, chamando arquitetos para discutir mudanças de última hora e evitando que seja entregue um sistema repleto de falhas e incompleto.

Infelizmente, isso é ainda pior que liberar o sistema com falhas.

Ao invés de gastar três meses arrumando problemas no ambiente estéril e isolado do laboratório, esse tempo poderia ser gasto ouvindo feedback de pessoas no mundo real, pessoas honestas do dia-a-dia, usuários (chatos?) dedicados do seu sistema. Não aquele sistema que você idealizou, nem aqueles usuários que você imaginava, mas um cenário verdadeiro e concreto. Pode usar esse feedback do mundo real para arrumar as partes verdadeiramente ruins da versão 1.0, gastando seu orçamento de forma muito mais eficiente, com base em fatos e carga concreta de usuários.

Não me entenda mal. Não quero dizer que se deva liberar um lixo de sistema. Acredite, somos todos perfeccionistas aqui. O mundo de verdade pode ser cruel e imperdoável para nós, perfeccionistas. Mas é mais saudável abrir mão da perfeição máxima e se dar conta de que quando seu sistema falhar inevitavelmente no campo de batalha, a decepção também será inevitável… porém… o problema pode ser arrumado! O que importa não é o estado inicial do sistema quando for liberado – alguns defendem a idéia de que “se você não tem vergonha da sua versão 1.0, é porque liberou tarde demais” – mas o que você faz depois de entregá-lo.

A velocidade com que sua equipe responde e resolve problemas é o que realmente marca e define a qualidade do sistema, muito mais do que uma simples versão impecável marcaria. É nesse ponto em que a perfeição se faz necessária. Não fique preso àquela utopia mística do sistema perfeito. Ao invés disso, gaste recursos demonstrando dedicação e tempo de resposta aos clientes e usuários, fazendo do feedback deles uma ferramenta importante e constante para melhorar e evoluir o sistema. De certa forma, quando você otimiza seus esforços para produzir um sistema infalível, está desperdiçando recursos.

Não tenha dúvidas de que, seja qual for seu cronograma ou orçamento, terá no mercado um sistema muito melhor se for lançado o mais rápido possível – conforme as possibilidades – e gastar todo o restante de seus recursos iterando rapidamente entre melhorias e feedback do mundo real.

Portanto, confie no que digo: Mesmo que a versão 1.0 seja ruim, libere assim mesmo.

== Jeff Atwood