Quarta-feira, Julho 28, 2010

Internet 3G - Minha Paciência Também Tem Limites (parte 6)

2010-07-28 Audiência Instrutiva no JEC

Hoje foi realizada a audiência instrutiva e, se eu não fosse brasileiro, teria rodado a baiana e xingado todo mundo. Não houve nada de interessante na audiência, exceto pelo fato de que agora compareceram dois advogados de verdade :)

Infelizmente, a sentença ainda não foi dada. Esta vai ser enviada em carta com AR pelos correios nos próximos -- pasmem -- quatro meses!


Este foi mais um capítulo da novela Meu brasil Brasileiro.

Segunda-feira, Julho 12, 2010

Não se assuste. Um computador é apenas um maço de baralho.

Existe um número incontável de discussões que circulam pelo mundo afora sobre como lidar com a pirataria e os crimes virtuais. Mas é difícil saber quem tem razão numa disputa quando não se conhece a verdadeira natureza do assunto envolvido. Não vou entrar no mérito de falar sobre os artistas e como é injusto não receberem pelo seu trabalho. Todos concordam que os artistas devem ser recompensados.

Diz a lei que, se o conteúdo for protegido por direitos autorais, então copiar sem permissão é crime sim. “Você está roubando do artista”, dizem por aí. Mas você sabe o que realmente foi roubado? Não se deixe enganar pelas aparências. A indústria do entretenimento vive repetido a mesma conversa fiada, mas copiar uma música ou filme pela Internet é muito diferente de roubar uma laranja ou mesmo um DVD do supermercado do seu bairro. Roubar uma laranja significa retirar o produto físico do supermercado. Roubar um DVD também. Copiar alguma coisa pela Internet é algo completamente diferente.

É muito difícil explicar essa diferença em termos técnicos e detalhados para pessoas que não trabalham na mesma área que eu. Sou desenvolvedor de software e passei quase uma década da vida estudando computadores, como eles funcionam e como criar coisas dentro dele. Não adianta eu falar sobre memória, CPU, HD, Megabytes ou Gigahertz para minha mãe. Para ela, isso tudo não passa de uma sopa de letrinhas. Como a maioria das pessoas, não faz a menor idéia do que significam.

Apesar de não ser especialista em leis e crimes, tenho certeza de pelo menos uma coisa: para classificar alguma atividade como crime, é preciso, antes de mais nada, tomar conhecimento do que realmente aconteceu. Quando alguém faz um download ilegal de um filme pela Internet, você sabe o que realmente aconteceu nesse momento? Se a cópia original continua nas mãos do proprietário, então o que foi roubado? Em todos os anos que trabalhei como desenvolvedor, a única forma que encontrei de explicar isso foi fazer uma analogia prática.

Comprar um computador é como comprar um maço de baralho

Você vai até a loja, passa 12 cheques pré-datados de R$150,00 e volta para casa com uma grande caixa. Dentro dela, você tem um maço de baralho. O que você faz com as cartas é problema seu. Uma das coisas que você pode fazer é colocá-las em cima da mesa e ordená-las, formando algum tipo de desenho ou mosáico.

Eu posso comprar o meu próprio baralho e, ao chegar em casa, fazer qualquer desenho que eu queira, igual ou diferente do seu. Cada um dentro de sua privacidade, pode formar qualquer tipo de desenho arrumando as cartas em cima da mesa. Imagine que um dia você consegue formar um desenho belo e interessante com todas as cartas, uma verdadeira obra de arte. Animado, você pega o telefone e me liga para contar a novidade. Mas ao invés de me chamar para ir até sua casa para ver o desenho, podemos fazer algo diferente. Você me diz pelo telefone como ordenou as cartas na mesa e eu posso criar uma “réplica” com o meu baralho, sem sair de casa! Quando terminar de explicar tudo, nós teremos duas cópias da mesma figura e ambos podemos apreciá-la. Em contrapartida, posso tomar a mesma iniciativa e ligar para outros amigos e explicar a eles como refazer o mesmo desenho, cada um com suas próprias cartas.

Note que, até agora, ninguém roubou nada. Ninguém saiu de casa. Ninguém precisou levantar uma arma. Ninguém perdeu seu baralho e, o mais importante, ninguém perdeu a imagem de vista.

Podemos ir mais longe neste exemplo e reconhecer que o baralho pode ser usado para algo mais do que montar figuras em cima da mesa. Podemos usá-lo para jogar Truco, Uno, Canastra, etc. Seja qual for o jogo, é preciso conhecer as regras para poder jogar. Mais uma vez, posso pegar o telefone e ligar a um amigo que conhece todas as regras. Ele pode explicar tudo sem sair de casa e depois dessa conversa – veja que interessante – agora nós dois temos o jogo de Truco em casa.

Novamente... ninguém roubou nada. Ninguém saiu de casa. Ninguém precisou levantar uma arma. Ninguém perdeu seu baralho e, o mais importante, ninguém perdeu o jogo que tinha em casa.

Mas é só isso que um computador faz, mesmo?

Tenha certeza disso. O seu computador funciona exatamente dessa forma. Através de sinais elétricos, o conteúdo armazenado em um computador longe de você pode ser facilmente replicado dentro do seu. Isso acontece todos os dias, toda vez que você navega pela Internet. A maioria das discussões geradas em cima disso baseiam-se no fato de que o artista que criou o conteúdo – no caso você que criou a figura original com as carta em cima da mesa – precisa ser recompensado por esse trabalho.

Até pouco tempo atrás, a única maneira que se tinha de apreciar a figura que você havia montado era pedir para que uma empresa especializada em fabricar baralhos fizesse um trabalho descomunal. Imaginando que não houvesse o telefone, essa empresa fabricava o maço de baralho, arrumava todas as cartas da mesma forma que você arrumou para montar a figura num quadro laminado com moldura e mandava todas as cópias para diversas lojas onde cada cópia pudesse ser vendida. Parte do dinheiro de cada cópia vendida era repassado a você, o artista. Isso se tornou uma indústria bilhionária ao longo dos anos. Com o surgimento da Internet, essa indústria tornou-se desnecessária e a réplica de conteúdo pela Internet (o surgimento da cultura do CTRL+C CTRL+V) tornou-se uma ameaça ao modelo de negócios que essas empresas praticam. Inevitavelmente, elas se adaptarão ao novo futuro que já está presente na vida de todos. Outras formas de recompensar o artista certamente serão criadas.

Se alguma lei precisa ser criada para enquadrar os “crimes virtuais”, ela precisa no mínimo levar em conta essa analogia prática do baralho. Sem isso, temos apenas o que vemos por aí nos dias de hoje. Juízes, advogados e vítimas que não fazem a menor idéia do que realmente aconteceu. Escondendo-se atrás do jargão “crime virtual”, sabem apenas que perderam dinheiro ou que poderiam ter ganho muito mais se essa bendita Internet não tivesse sido inventada! Alguns não sabem como classificar os crimes. Outros nem sabem se houve realmente algum crime por falta de entendimento do que realmente foi praticado.

Mas a Internet é assim mesmo, é muito jovem. O computador mal havia saído do berço e sua irmazinha Internet já havia nascido. Cresceu rápido demais; nem deu tempo das pessoas se acostumarem com seu irmão mais velho.

Sexta-feira, Julho 09, 2010

A Contabilidade dos Filmes em Hollywood

Fonte: http://www.techdirt.com/articles/20100708/02510310122.shtml

TechDirt.com tem um artigo interessante que mostra um pouco sobre como funciona a contabilidade dos filmes em Hollywood.

Normalmente lemos aquelas notícias de que tal filme arrecadou centenas de milhões de dólares só no primeiro fim de semana. Alguns ultrapassam a marca dos bilhões quando chegam a sair dos cinemas. Com isso, fica difícil engolir os números quando se ouve dizer que um sucesso como Harry Potter e a Ordem da Fênix ARRECADOU quase US$1 bilhão e terminou DEVENDO US$160 milhões!

O artigo comenta que o pessoal do Planet Money fez um podcast inteiro dedicado a tentar explicar como funciona esse esquema, que mais parece uma lavagem de dinheiro. A notícia ganhou mais destaque depois que o relatório financeiro desse filme do Harry Potter vazou pelos tubos da Internet.

Mas afinal… como pode?!?

O segredo, como dizem, está no fato de que um estúdio (e.g. Warner Bros) não financia um filme propriamente dito. Na verdade, toda vez que um filme novo vai ser feito, é criada uma outra empresa para lidar com tudo que se relaciona com a produção dele – contrato com atores, produtores, equipamentos e tudo mais. Essa empresa é usada como fachada, pois ela é quem arca com todas as perdas antes de fechar as portas. Depois que o filme é contabilizado, o relatório financeiro mostra tudo que foi arrecadado e quais foram os gastos. Entre os gastos, encontram-se taxas e compensações exorbitantes ao estúdio. Taxas milhionárias de publicidade, distribuição, direitos autorais, juros absurdos e outras coisas.

Alguns casos estão sendo levados à justiça americana onde os artistas procuram ser recompensados pelo trabalho que fizeram, mas não conseguem receber por que a empresa que os contratou simplesmente não tem dinheiro --- em outras palavras, o dinheiro foi esgotado pagando taxas milhionárias ao estúdio! Alguns casos já venceram e isso deve gerar mais ações do mesmo tipo.

Quando se ouve por aí toda essa propaganda anti-pirataria, tem gente que ainda acredita que a Warner Bros – ou qualquer outra do mesmo nível – esteja realmente ineteressada em pagar aos artistas o que lhes é de direito.

Será que ensinam esse truque no curso de contabilidade da universidade?  ;-)

Quinta-feira, Julho 08, 2010

[Direito do Consumidor] Exija desconto quando Internet ficar fora do ar

Fonte: http://www.idec.org.br/emacao.asp?id=2383

O IDEC mais uma vez publica recomendações relevantes para consumidores de serviços, como Internet Banda Larga. Artigo do IDEC relata como exemplo o problema que houve na Internet da Claro, onde consumidores ficaram sem acesso a Internet devido a pane na infraestrutura. Está disponível para download um modelo de carta que pode ser usado para exijir os direitos formalmente à prestadora de serviço.

No caso da banda larga e do celular pós-pago, os consumidores podem exigir o abatimento proporcional do valor da mensalidade pelo período em que o serviço ficou indisponível. O desconto pelo serviço que não foi prestado deve ser dado pela operadora na próxima fatura.

O interessante dessa notícia é o modelo da carta. Vale a pena fazer o download e guardar para futura referência. O modelo pode ser facilmente adaptado para ocasiões e empresas diferentes.

Quarta-feira, Julho 07, 2010

[Direito do Consumidor] Internet lenta? Cancele sem multa.

Notícia publicada no portal do IDEC. Fonte: http://www.idec.org.br/emacao.asp?id=2378

Liminar obtida pelo Idec garante direito ao consumidor de rescindir o contrato de banda larga sem ônus em caso de má qualidade do serviço; Instituto disponibiliza modelo de carta para pedir o cancelamento

Confira os detalhes na fonte, mas com essa liminar você tem tudo que precisa para cancelar um contrato de fidelidade sem pagar a multa contratual – inclusive um modelo Word da carta que pode ser enviada à prestadora de serviço exigindo seus direitos.

O mais importante é formalizar suas reclamações exigindo o que lhe é de direito. Conforme diz o artigo da fonte:

É importante que o consumidor tenha um comprovante da solicitação feita à empresa. Por isso, se enviar a carta pelo correio, faça com aviso de recebimento (AR); se entregar pessoalmente, leve uma cópia para a empresa protocolar.

Mais um ponto para o consumidor brasileiro.

Terça-feira, Julho 06, 2010

Você sabe o que é RSS? Nunca vi, nunca li, eu só ouço falar.

Esse post é dedicado à jornalista Leticia Simoni Junqueira que, como qualquer outra pessoa normal, não tem a menor obrigação em saber de coisas que pessoas da minha área inventam e colocam no mundo sem explicar direito pra que serve.

PS: Parece que “prestatividade” existe sim.

Tem gente que só falta cantar essa música. O RSS foi inventado por volta de 1999, mas só ficou famoso depois da virada do milênio, quando todos os grandes portais de notícia perceberam o potencial dessa ferramenta. Hoje, a Internet está cheia deles. Qualquer blog hoje é capaz de gerar RSS. Nenhum dos principais canais de notícias dispensa.

Mas afinal de contas, que diabos é isso?

Uma consulta rápida na Wikiepedia revela:

RSS é um subconjunto de "dialetos" XML que servem para agregar conteúdo ou "Web syndication", podendo…

Chis-eme-éli? Diabeto? Web simulation??? PQP! Quem é que entende isso? Vamos começar pelo lado simples da história.

Se você tem um blog, você tem RSS. Tudo que você escreve no blog fica arquivado, lá no fundo do baú da Internet. Seja Blogger ou Wordpress, cada post – ou artigo – está bem guardado e pode ser acessado e lido novamente a qualquer momento (desde que o blog continue disponível para acesso).

RSS é apenas um mecanismo pelo qual os fans do seu blog podem se manter atualizados e serem notificados quando você publica novos conteúdos. Com ele, eu não preciso visitar o seu blog todo dia para ver se há algo de novo. Quando algo novo aparece, eu sou notificado.

Você já pode ter visto esse símbolo 25px-Rssicon_3614 em vários lugares. Ou então esse aqui 12px-Feed-icon.svg. Eles ficam escondidos nos cantos das páginas. Esses símbolos indicam a presença da fonte RSS – ou feed RSS. Se você usa Firefox para navegar pode já ter visto esse símbolo na barra de endereços. Veja abaixo um exemplo.

rss

Experimente clicar alí em cima desse ícone – pode ser aqui no meu blog mesmo!  Se aparecer um menu de opções, escolha um tipo da lista, não importa muito qual deles você escolhe.

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Você vai notar que o endereço mudou e o visual do blog ficou mais simples.

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Seja qual for o visual do seu blog, o Firefox vai mostrar sempre desse jeito. O Internet Exploder mostra de outro.

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O Google Chrome não entende o RSS (ainda) e se você pegar esse endereço e tentar abrir vai ver essa coisa horrível abaixo.

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Essa coisa horrível, na verdade, é o bendito RSS. Isso é o que chamam de fonte RSS ou feed. Ele não foi feito para seres humanos lerem, foi feito para outros programas lerem. Essa macarronada de letras tem informações sobre o conteúdo do blog. Isso inclui os últimos artigos que foram publicados, a data de publicação de cada um, os autores do conteúdo, tags e marcadores, link e diversas outras coisas. Um programa preparado para receber essa macarronada pode verificar se existem publicações novas e notificá-lo quando houverem mudanças – tudo de forma automágica. Um exemplo desse tipo de programa é o Google Reader.

Acesse http://reader.google.com. Se tiver conta no Google, basta fazer o login e criar o seu perfil no Google Reader. Nele você pode adicionar fontes RSS de vários lugares e ficar por dentro de tudo que é publicado em todos eles alí dentro.

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Experimente. Basta clicar em “Adicionar Inscrição” e inserir o endereço da fonte RSS desejada. O Google Reader mantém suas fontes favoritas ao lado esquerdo e sempre que houverem novas publicações novas na fonte do RSS, você fica sabendo dentro do Google Reader. Na maioria dos casos, você pode ler o conteúdo publicado alí mesmo, marcar quais foram lidos, quais você gostou. Nem precisa visitar a fonte do conteúdo. É uma maneira de ser notificado de todas as novidades de forma centralizada. Também é possível compartilhar o que você leu com seus amigos na rede social do Google ou enviar algum artigo por email para qualquer pessoa. Atualmente, a integração com o Google Buzz é automática.

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Hoje em dia, você pode encontrar fontes RSS de todos os lugares. Todos os portais de notícia oferecem. Yahoo!. Gazeta do Povo. Todas as contas de Twitter possuem sua própria fonte RSS. Trata-se de um padrão aceito mundialmente para esse tipo de comunicação agregada.

Mas claro, o Google Reader é apenas um dos incontáveis leitores RSS que você pode encontrar por aí – também conhecidos como Agregadores de RSS. Você pode encontrar uma lista enorme de alternativas no Wikipedia, dentre eles:

  • Microsoft Outlook
  • Microsoft Internet Explorer
  • Mozilla Firefox
  • Mozilla Thunderbird
  • Amarok
  • Apple iTunes
  • Miro
  • Songbird
  • … etc.

Dessa lista, já se percebe que todos os programas mais conhecidos já sabem ler RSS. Quem decide qual deles usar é você. Depende do que você achar melhor.

O pecado escondido debaixo do tapete é que muitos portais de notícia nem chegam a explicar do que se trata esse tal de RSS. É tudo muito obscuro e escondido nos rodapés das páginas. Quem tenta explicar acaba complicando mais ainda de tão superficial e abrangente, baseado na lógica de que o povão brasileiro não consegue entender esse jargão tecnológico. No Brasil, acabou virando coisa de nerd, pois só nerd que estuda entende as maravilhas da tecnologia. Ninguém dá mérito ao jornalista que se mete no meio da conversa tentando entender isso tudo.

E assim, a maioria não usa. Nunca viu. Nunca leu. E outros nem ouviram falar.

Um Ovo

Texto original de Andy Weir traduzido e adaptado.
Original text from Any Weir translated and adapted to Brazilian Portuguese.

Você estava a caminho de casa quando morreu. Foi um acidente de carro. Nada extraordinário, mas infelizmente fatal. Deixou para trás a esposa e dois filhos. Foi uma morte sem dores. Os paramédicos tentaram reanimá-lo, mas sem sucesso. Seu corpo estava tão mutilado que foi melhor ter morrido mesmo, confie em mim.

E foi então que você me encontrou.

“O que… o que aconteceu?” Perguntou. “Onde estou?”

“Você morreu”, eu disse de forma simples e direta. Não havia motivos para enrolação.

“Havia um… caminhão, começou a derrapar…”

“Sim”, respondi.

“Eu… eu morri?”

“Sim. Mas não precisa se sentir mal. Todo mundo morre.”

Ao olhar ao redor, você percebeu que não havia nada. Somente você e eu.

“Que lugar é esse?” Você perguntou. “Essa é a vida após a morte?”

“Mais ou menos.”

“Você é Deus?”

“Sim, eu sou Deus.”

“Minha esposa… meus filhos!”

“O que tem eles?”

“O que vai ser deles?” Você perguntou. “Eles vão ficar bem?”

“É isso que eu gosto de ver. Acabou de morrer e a primeira preocupação é com sua família. Isso sim é coisa boa.”

Você me olhou com certo fascínio. Eu não parecia um Deus. Parecia uma pessoa comum. Quem sabe uma mulher. Alguma figura autoritária talvez. Parecia mais um tipo de professor do que o Todo Poderoso.

“Não se preocupe”, eu disse. “Eles vão ficar bem. Seus filhos terão boas lembranças em todos os sentidos. Não tiveram tempo de não gostar de você. Sua esposa vai chorar aos olhos de todos, mas secretamente vai sentir-se aliviada. Seu casamento já estava se deteriorando. Caso sirva de consolo, ela vai sentir-se culpada por esse alívio.

“Oh”, você disse. “E o que acontece agora? Vou para o céu, para o inferno?”

“Nenhum deles”, eu respondi. “Você vai rencarnar.”

“Ah, então os indianos estavam certos!”

“Todas as religiões estão certas, cada uma de seu próprio jeito”, eu disse. “Venha andar comigo.”

“Onde estamos indo?” Você me perguntou enquanto andávamos no meio do nada.

“Não vamos a lugar algum. É que andar enquanto se conversa simplesmente combina.”

“Então”, você perguntou, “como é que funciona? Quando eu renascer vou ter uma nova chance? Começarei do zero? Tudo que vivi nesta vida não vai fazer a menor diferença?”

E eu respondi, “Imagine! Claro que vai. Você terá dentro de si todas as experiências que já teve em todas as outras vidas. É que você não se lembra delas nesse momento.”

Nós paramos de andar e coloquei a mão no seu ombro para explicar. “Sua alma é mais incrível, mais linda e muito maior do que consegue imaginar. Apenas uma pequena parte de tudo que você é cabe na mente de um ser humano. É como colocar a ponta do dedo num copo de água para ver se está quente ou frio. Você coloca apenas uma pequena parte de você dentro desse compartimento. Quando sai dele, traz consigo todas as experiências que teve enquanto lá dentro.”

“Você esteve nessa encarnação por 48 anos”, continuei explicando. “Isso não chega nem perto do verdadeiro tamanho de sua consciência. Se ficássemos aqui conversando por muito tempo, eventualmente começaria a se lembrar de tudo. Mas isso não ajuda você a crescer entre uma vida e outra.”

“Quantas vezes eu já reencarnei?”

“Ah, muitas e muitas vezes. Foram diversas vidas muito diferentes. Nessa próxima, você vai ser uma garota chinesa no ano 540 antes de Cristo.”

“Espere um pouco”, você ficou surpreso. “Vou viajar no tempo?”

“Bem, tecnicamente sim”, expliquei. “Na verdade o tempo só existe no seu mundo. As coisas são diferentes lá de onde eu venho.”

“E de onde você veio?” Você perguntou.

“Bom, eu vim de um lugar diferente. Lá existem outros como eu. Sei que gostaria de saber mais a respeito, mas não adianta eu tentar explicar. Não vai conseguir entender mesmo.

“Acho que entendo”, você disse meio desanimado com minha resposta. “Mas espere um pouco… Se posso reencarnar e outros lugares de outras épocas, quer dizer que posso interagir comigo mesmo a qualquer momento!”

“Claro”, respondi. “Isso acontece o tempo todo. Como você tem consciência de apenas uma vida de cada vez, não vai nem perceber quando isso acontece.”

“Mas então, qual é o motivo de tudo isso?”

“Está falando sério?” Perguntei. “Está realmente me perguntando qual é o sentido da vida? Isso não é muito clichê?”

“Bem”, você insistiu, “é uma pergunta razoável”.

Foi então que olhei bem nos seus olhos e disse, “o sentido da vida, a razão de ter criado todo esse universo, é para que você cresça.”

“Você quer dizer, a humanidade. Quer que a humanidade cresça?”

“Não. Somente você. Fiz todo esse universo somente para você. E em cada vida você cresce um pouco, tornando-se um intelecto cada vez maior.”

“Como assim? E as outras pessoas?”

“Não existem outras pessoas. Neste universo, só existem você e eu.”

Você me olhou com um cara desolada. “Mas… todo mundo na Terra…”

“Todos eles são você. São encarnações diferentes de você mesmo.” Eu disse.

“Espere um pouco. Eu sou todo mundo!”

“Agora sim, você está entendendo.” Dei um tapa nas suas costas.

“Eu sou todo ser humano que já existiu.”

“… e todo ser humano que ainda vai existir”, complementei a sua frase.

“Eu sou Abraham Lincoln?” Você perguntou.

“Sim, você também é John Wilkes Booth.”

“Eu sou Hitler?” Você ficou assustado.

“Sim, e também todos os milhões que ele matou.”

“Eu sou Jesus!”

“Sim, e todos aqueles que o seguiram também.”

Você caiu no silêncio. “Toda vez que machucou alguém, todo ato de bondade, toda caridade, você fez tudo a si mesmo. Todo momento de alegria ou tristeza experimentada por algum ser humano, em verdade, foi, é e sempre será você mesmo.”

Depois de pensar por muito tempo, você perguntou “Mas, por que fazer tudo isso?”

“Porque um dia, você será igual a mim. Está na sua natureza. Somos do mesmo tipo. E você é um filho meu.”

“Nossa”, você ficou surpreso. “Quer dizer que sou um Deus?”

“Não. Você ainda é um feto. Precisa crescer muito. Depois de viver todas as vidas possíveis em todos os tempos, somente então terá crescido o suficiente.”

“Quer dizer que o universo inteiro é apenas um…”

“… apenas um ovo”, completei sua frase. “E agora está na hora de começar uma nova vida.”

E assim, coloquei você de volta no seu caminho.

Segunda-feira, Julho 05, 2010

[Fik@ Dik@] Sons of Tucson – mais uma família dinsfuncional para os seus fins de semana.

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Sobrou pouca coisa para assistir. Com o fim do Lost – odiado por tantos –as principais séries entraram na entressafa. Fringe, House, Big Bang Theory e muitos outros só voltarão ao ar em setembro.

Enquanto isso, o que assistir? O difícil é encontrar algo bom e divertido. Para isso, deixo a dica para esse período de calmaria.

A séria foi um achado da Internet. Chegou recomendado por um colega do trabalho. “Veja lá, realmente está valendo a pena”, dizia ele o tempo todo. Até que uma hora catei os primeiros episódios e mergulhei – sem arrependimentos.

Sons of Tucson (2010)

Ron Snuffkin é malandro por natureza. Bom de lábia, sempre tenta parecer mais esperto do que parece. Faz de tudo para ganhar uma grana extra e se safar das encrencas em que se mete. A série começa quando ele entra na mira de Gary, Brandon e Robby; três garotos que ficaram sozinhos depois que seu pai – podre de rico – foi preso por crimes de colarinho branco. Para não serem considerados órfãos, serem separados e levados para adoção, os três oferecem Ron um bico nas horas vagas: US$ 300,00 por semana para fingir ser o pai deles sempre quando for preciso. A partir daí, você pode imaginar todo tipo de encrenca. Três crianças e um solteirão gordo e vagabundo sem nenhum adulto responsável por perto! Uma receita para uma série de absurdos que não tem fim.

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Confira os primeiros episódios. Se você gostou de The Big Bang Theory, muito provavelmente vai entrar no ritmo descontrolado da falta de responsabilidade dessa turma em Sons of Tucson.