IE8 – Um trator na beira do precipício.
Posted on September 30th, 2008 in Português) by JulioHM | 0 Comments »
Já faz algum tempo que venho acompanhando as notícias do blog oficial do Internet Explorer (http://blogs.msdn.com/ie). Pessoalmente, tenho muita preferência em usar o Firefox – ou até mesmo o novo Chrome do Google – do que essa tralha da Microsoft; mas nem por isso eu vou ficar de fora das novidades que andam inventando por aí.
Nos últimos meses, vimos o lançamento do IE8 Beta, que hoje pode ser baixado e testado por qualquer alma viva. Assim como seus concorrenntes, o time de desenvolvimento do IE8 vem tentando mostrar serviço, criando novas funcionalidades e incorporando melhorias ao produto. Apesar disso, as notícias que venho lendo a respeito dessa nova versão não são nada animadoras.
O lançamento do Firefox 3 foi um evento mundial, bateu record de downloads e trouxe uma lista invejada de melhorias; dentre os quais estão: performance alucinante, barra de endereços realmente útil (awsome bar), gerenciamento de favoritos melhorado, o botão de identidade para facilitar a segurança para usuários comuns e muito mais. Mesmo com uma lista grande de coisas novas, nota-se claramente que são melhorias – literalmente falando. Tudo ficou melhor e continua melhorando. Já no lado do IE, também vemos uma quantidade grande de modificações sendo feitas… mas até hoje não vi quase nada que fosse realmente útil.
As dores de cabeça no desenvolvimento do IE devem ter começado quando tiveram a infeliz idéia de fazer o IE6 incompatível com os padrões da web. Já que a Microsoft monipolizava o mercado de browsers, parecia ser uma boa estratégia manter as páginas da Internet atreladas ao modo de rendereização do IE. Hoje, um número incontável de páginas ao redor do mundo só funcionam no IE porque foram programdas no padrão fora do padrão da Microsoft. Com o crescimento dos concorrentes, isso acabou se mostrando nada amigável para o futuro da web. O advento do IE7 prometeu ser mais compatível com o resto do mundo e isso criou mais uma camada de código em cima do que já existia para manter compatibilidade com todas as páginas que já tinham criadas e funcionam apenas no IE6… Por esse motivo, o IE7 possui dois modos de operação – o modo legado onde páginas antigas ainda funcionam e o modo compatível onde páginas mais padronizadas podem ser renderizadas.
Aparentemente, nem tudo foi maravilha… ainda existem incompatibilidades entre o IE7 e o restante da web… tem coisas que só funcionam nele, ou funcionam nos outros, mas não nele. Assim, no lançamento do IE8 Beta, houve uma nova promessa de compatibilidade total com os padrões do mercado. Chamam de o modo super-compatível! O browser agora consegue passar no teste Acid2 – um marco na história do browser, como diz o próprio post da equipe Microsoft.
Mas não se iluda, toda essa compatibilidade não significa “melhorias”. Cada promessa feita foi uma camada a mais de retro-compatibilidade para que as páginas feitas para versões antigas não parem de funcionar. Em termos técnicos, isso significa MUITO mais código novo escrito em cima de MUITO código velho… mais bugs e falhas de segurança a serem encontrados e explorados. É como se houvessem três versões completas do browser debaixo da interface bonita e atratente.
E falando em interface bonita, a maioria das novas funcionalidades até hoje anunciadas parecem ser apenas isso… mais colorido e cheio de frescura. Para começar, frescuras como a página inicial mostrada em tabs vazias. De forma descarada, veio a barra de endereços turbinada – uma cópia varrida do que foi introduzido no Firefox 3, anunciada como se fosse a maior novidade do século. E para não dizer que ficou igualzinho ao Firefox, começaram a entulhar buscas e mais buscas no meio dessa barra. Nela, é possível realizar buscas visuais na sua lista de favoritos, histórico de navegação, arquivos no disco do computador local, produtos na Amazom.com, eBay.com, Wikipedia, YouTube… tudo isso pode ser configurado ao máximo de personalização; um post de setembro até ensina como criar a sua própria busca visual personalizada. Fora esses, ainda começaram a inventar coisas inéditas, como o IEAK (Internet Explorer Administration Kit) para um gerenciamento de configurações e complementos mais corporativo, agrupamento de tabs (pra que diabos isso???), um depurador/analizador completo de JScript, parsing e serialização nativa de JSON… afe!
Posso ser meio pessimista a respeito do IE, mas a impressão que tenho é que existem esforços gigantescos dessa equipe da Microsoft em criar funcionalidades satélites ao browser e pouca atenção aos detalhes fundamentais, como segurança, performance e usabilidade simples. Pelo que se vê das últimas notícias, esse browser tem cara de ser mais uma atualização gigantesca, trazendo centenas de megabytes de funcionalidades adicionais e inúteis… mas no fundo, continua o mesmo monstro indomável da segurança na Internet. É uma sobrecarga reamente grande de código fonte para criar todas essas frescuras que o usuário gosta de ver, uma quantidade enorme de novas linhas de código são acrescentadas ao projeto e, com isso, uma nova coleção de falhas de segurança. Parece que estão indo em uma direção muito diferente do que os concorrentes. Daqui a pouco o usuário nem vai saber mais que está utilizando um browser para navegar páginas de Internet… e só não vai fazer TUDO pela barra de endereços devido ao vício do click no mouse.
Tem horas que sinto vontade de dar pessoalmente parabéns a equipe da Mozilla por manter o Firefox simples, seguro e com funcionalidades práticas. Qualquer coisa além disso fica por conta dos programadores interessados em criar extensões. O importante hoje em dia é navegar seguro, com rapidez e eficiência. Aposto que essa nova versão do IE vai ser mais um comedor de memória, motivo de muita conversa sobre segurança e invasão de privacidade. No fundo estou até torcendo para que seja isso mesmo… assim ele fica logo para trás e não consegue mais concorrer com os demais. Joga fora no lixo, e façam um IE9 descente, zero km!

