Com a chegada do final de outubro, a cultura americana comemora o Dia das Bruxas – também chamado pelo nome original Halloween. E não adianta, isso sempre acaba influenciando a nossa vida brasileira. A classe média alta não se conforma em ser brasileira e parece que sente gosto em “fingir” que faz parte do “primeiro mundo”. Escolas de inglês, restaurantes, danceterias… diversos lugares fazem questão de comemorar um feriado que nem faz parte do calendário nacional.
De qualquer forma, parte do Dia das Bruxas envolve as fantasias. Apesar de muita gente se vestir do mesmo personagem, cada um tenta ser diferente. Os personagens das estórias infantís continuam fazendo sucesso. Estórias simples sobre o bem e o mal, mas que ficam na memória de todos, hoje com sucesso de desenhos da Disney.
Já existe muito estudo a respeito desses contos e muita psicologia já foi aplicada para entender de onde surgiram e de por que facinam tantas gerações. De qualquer forma, muitos de nós já sabemos que essas estórias fugiram de suas versões originais. Todas foram reduzidas e adaptadas para poderem ser vendidas pelo império Disney. Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, Os Três Porquinhos… confira um pouco das versões originais dessas estórias.
A Pequena Sereia, por exemplo, foi um grande sucesso da Disney. Garotinhas de todos os lugares ansiavam para ficarem iguais a Ariel, linda e… escamosa da cintura para baixo?
Você sabia, por exemplo, que na versão original de Hans Christian Anderson, a sereia acaba morta? Comete suicídio depois de descobrir que era incapaz de matar o príncipe que, aliás, já era casado com outra!
Todas essas histórias, na verdade, possuíam um conteúdo violento ou sexual, mas sempre com alguma lição de moral. Sempre ensiando sobre os costumes, sobre o que é aceitável e o que não é. As vezes, não se tratam de finais muito felizes, mas conhecer um pouco da verdade por trás desses contos nos dá aquela sensação de alívio, uma certeza de realmente, é tudo mentirinha.
A Versão Original de “O Três Porquinhos”
A história que conhecemos hoje é uma versão super-reduzida e adaptada para crianças. Hoje ela mostra uma estorinha simples sobre como é bom usar a cabeça e ser esperto para se dar bem a vida. A versão original é muito mais longa.
O lobo mal não apenas consegue destruir as casas dos dois primeiros porquinhos, mas acaba aterroizando e devorando cada um deles, sem misericórdia. O terceiro, mais esperto, conseguiu ficar escondido dentro de sua casa de tijolos. Como não conseguiu derrubar a casa, o lobo tenta atraí-lo para fora, prometendo guloseimas e até um passeio na feira! Resistindo a tentação, o porco continua dentro de casa sabendo que corre risco de vida.
A partir de então, o lobo volta a apelar para violência. Sobe até o telhado e tenta entrar pela chaminé. Mas o porco, como foi mais esperto, já havia acendido a fogueira e tinha uma panela pronta com água fervendo esperando por ele. O lobo acaba caindo pela da chaminé e morre cozido. Tanto ele, quanto os outros dois porcos ainda no seu estômago, terminam de refeição para o terceiro.
Morais contidas na história incluem: não se deixe levar pelas tentações, cresça e seja esperto na vida ou morra como ignorante.
A Versão Original de “Joãozinho e Maria”
Essa geralmente é contada como a história de duas crianças inocentes que se perdem na floresta e encontram a casa comestível de gergelim. Ao comer pedacinhos da casa, a velha senhora que lá vive os convida para jantar passar a noite. Depois de muita comilança, a velha senhora se revela uma bruxa que aprisiona as crianças para depois comê-las. No final, as crianças escapam.
Na versão orignal, as crianças gastam um tempo enorme perdidas na floresta. Joãozinho e Maria são filhos de uma família muito pobre. Depois que a mãe deles percebe que não consegue prover comida o suficiente para toda família, confabula com o pai um plano para se livrar das crianças. Manda as duas afora pela floresta sozinhas para encontrar comida, sabendo que não saberão voltar para casa. Maria até tenta deixar o rastro de pedrinhas, mas quando estas acabaram teve de usar o pouco de pão que levaram consigo. Pássaros e animais comeram a trilha e, depois de muito tempo vagando, os dois acabaram encontrando a casa de gergelim.
A bruxa os convida para entrar e oferece muita comida e camas confortáveis. Quatro semanas depois, ela se revela e as crianças descobrem que estavam sendo engordadas para depois serem comidas pela bruxa. Com um forno já todo preparado, Joãozinho amarrado e pronto para virar um assado, Maria dá uma de esperta e acaba derrubando a bruxa dentro do forno. As crianças acabam saqueando a casa da velha, pegam comida e pertences de valor e encontram o caminho de volta para casa. Ao chegar, descobrem que sua mãe havia falecido e vivem “felizes para sempre”.
Morais contidas na história incluem: É preciso saber sobreviver sem a ajuda dos pais. Se depender de alguém, dependa de alguém da sua idade. O mundo material é perigoso e cheio de armadilhas.
A Versão Original de “Chapéuzinho Vermelho”
Depois de ganhar tantas versões diferentes, esse conto já ficou mais do que distorcido. Desenhos modernos mostram uma garota inteligente e esperta (praticamente uma adolescente) e uma vovó mais que moderna, pratica esportes e é tudo menos cansada pela idade.
Em verdade, a Chapéuzinho recebeu a missão de sua mãe de levar uma cesta de frutas para a avó. Para isso, recebeu ordens explícitas para não desviar do caminho, aconteça o que acontecer. Um lobo a segue, escondido nas árvores e, assim que percebe para onde ela está indo, vai correndo para chegar antes dela na casa da avó. Chegando lá, o lobo devora a vovó indefesa (por inteiro), veste as roupas da velha e espera na cama.
Quando a garota chega, segue o famoso imortal diálogo “Nossa que orelhas grandes você tem, vovó!”. A conversa termina com o lobo engolindo a pobre criança. Neste momento, um novo personagem aparece, o caçador que, aparentemente, já vinha seguindo os rastros do lobo até encontrar a casa da avó. O caçador arromba a porta da casa, mas sabendo que a espingarda pode matar também as pobres mulhers na barriga do lobo, decide abrir sua barriga com uma tesoura. A primeira coisa que aparece da barriga é o chapéu vermelho (talvez em alegoria ao sangue que enxarcava o tecido?), seguido da garotinha e depois a vovó; todos ainda vivos, inclusive o lobo! Antes do caçador costurar a barriga, a Chapéuzinho coloca várias pedras no estômago do animal. Depois da “cirurgia”, o lobo tenta sair correndo, mas acaba cambaleando e, só então, cai morto. Para mostrar sua vitória, o caçador veste a pele do lobo e a vovó finalmente recebe sua cesta de frutas.
Algumas versões colocam um tom sexual muito forte na estória; especialmente quando incluem detalhes do encontro entre a Chapéuzinho e o Lobo, onde a garotinha sobe na cama com o lobo completamente nua. Essas versões geralmente não fazem qualquer referência de que Chapéuzinho tente se livrar das “garras” do lobo malvado e pervertido.
Morais contidas na história incluem: Não se distraia de seus objetivos. Considere a sabedoria de seus pais, caso contrário, pode ganhar experiência a troco de muita dor e sofrimento. Algumas pessoas usam a atração sexual para conseguirem o que querem.
A Versão Original de “A Bela Adormecida”
Este, claramente possui conotações sexuais. Na versão original, sem censuras, a bela que tanto dorme com certeza não acorda com um beijo.
Depois de furar o dedo com o veneno da bruxa malvada, a bela moça entra num sono profundo que deveria durar 100 anos. Ao furar o dedo, um fiapo de madeira (com o veneno de 100 anos) fica preso no dedo, debaixo da unha. A maldição continua valendo enquanto o fiapo continuar preso ao dedo.
Quando chega o príncipe, ele… estupra a coitada enquanto ela dorme! Assim, ela engravida, cria barriga e dá luz a um par de gêmeos. Tudo isso dormindo! Quando chega a hora do parto, as crianças acabam saindo sozinhas da barriga da mãe e começam a se amamentar do leite materno. Uma das crianças confunde o dedo da mãe pelo seio e acaba sugando e despredendo o fiapo de madeira e, assim, quebrando a maldição antes dos 100 anos.
Morais contidas na história incluem: Progresso e desenvolvimento não precisam ser visíveis para que aconteçam. É inútil tentar impedir o crescimento sexual de uma pessoa. Crianças não são apenas um pé no saco, as vezes elas podem ajudar os pais.
Texto adaptado da fonte original: http://www.dbskeptic.com/2008/10/27/original-versions-of-classic-fairy-tales/