Depois que tivemos a chance de obter uma TV por assinatura, a vida aqui em casa tem sido mais tranquila. Há um bom tempo eu andava angustiado e tenso com tudo na vida; acabava perdendo a paciência e reclamava de tudo. Hoje eu reconheço o motivo dessa angústia. Hoje eu sou feliz. Sou um dos poucos brasileiros que podem afirmar com certa convicção e orgulho: “Não me lembro a última vez que eu vi a cara do Gugu na televisão”!
Dentre todas as inutilidades mostradas na televisão brasileira, acredito que não sou o único quando digo: Globo e SBT são os campeões da inutilidade pública. Um repertório gigantesco de idiotices, babaquices, apelações, fofocas e puxa-saquismo, suficientes para abastecer um país com mais de 100 milhões de pessoas – a maioria sem acesso a qualquer outro tipo de cultura.
Domingo virou sinônimo de “perda de tempo”. Não me surpreende que tantos brasileiros (aqueles que podem gastar dinheiro) estejam adotando o hábito americano de passar a tarde toda no shopping center, fora de casa, passeando. Para qualquer um que tenha qualquer tipo de alternativa que não seja assistir o Domingão do Faustão ou Domingo Legal, acredite, essa alternativa está no topo da lista. Essas pragas da nossa cultura continuam fazendo “sucesso” porque a maioria dos brasileiros infelizmente ainda não têm outra alternativa para seus fins de semana, a não ser ficar em casa e ligar a televisão. Com o passar dos anos, está ficando cada vez mais claro e “óbvio” ao público brasileiro que esses apresentadores de renome das principais emissoras nada mais são que “apadrinhados” e “costa-quentes”; verdadeiros sangue-sugas do mercado publicitário, cujo único talento é a vóz treinada e a fala bonita.
Minha repugnância sempre foi dividida entre Gugu Liberato e Fausto Silva, dois pentelhos insuportáveis. Nunca falam nada de interessante; provavelmente devido a sua posição medíocre: apresentador. Isso mesmo, não me entenda mal. Por maior que sejam seus salários, cachês ou comissões, a função deles não passa disso. Apresentar o conteúdo de um programa. Pouco mais se espera de um cidadão desses além do ensino médio e um simples curso de locução para falar em público.
Gugu, quando fala para as câmeras, parece que está sempre falando com um bando de crianças de 5 anos. Com delicadeza e jeito para que todos entendam; parece uma frutinha. Faz questão de deduzir e tirar todas as conclusões, entregar tudo mastigado ao público – que, Deus me livre, não pode pensar por si só. Descreve o que está acontecendo nos mínimos detalhes e chama isso de “comentários”. Está sempre fazendo piadas tão inocentes que chegam a perder a graça.
Já o Faustão, esse sim, é o campeão. Seu repertório de piadas acabou do primeiro ano em que o seu Domingão estreiou na Globo; até então tinha sido até engraçado, mas de lá pra cá, foi sempre a mesma merda de sempre. Entre piadinhas de bilau e o famoso “oh louco, meu!” tudo de ruim acontece. Sua principal mania é arruinar a apresentação de seus convidados. Como se a mão dele estivesse presa, segurando o microfone sempre à boca e nunca desligado, Faustão solta gargalhadas e os comentários mais idiotas enquanto um pobre coitado tenta ganhar a sua publicidade em uma emissora de renome. Na maioria das vezes, acaba atrapalhando a performance do artista, em exemplos com Diogo Portugal, Wagner Trindade, Murilo Gun e André Silveira. Lulu Santos chegou a reclamar publicamente dessa babaquice sem fim.
Por mais que o público reconheça essas porcarias como abomináveis, ninguém perde o emprego. A audiência continua subindo, apesar de não ser por causa dessas figuras nojentas da nossa televisão. As vezes me pergunto se realmente teremos de esperar dezenas de anos, até que fiquem velhos e cansados para deixar o cenário da massificação pública em paz. Não vejo a hora de ler a notícia: Faustão e Gugu se Aposentam; fecham o contrato com as emissoras e vão aproveitar sua fortuna milhionária fora do país, deixando todos aqui felizes para sempre… até que seus filhos entrem no palco e comecem tudo de novo!